A mini mostra Universidade Necessária: Caminhos à Cidadania, Excelência e Pertencimento parte de uma provocação contemporânea: que universidade queremos e, sobretudo, para quem? Em 2025, a PUC-SP reafirma seu papel como espaço crítico e criador de futuros, alinhando-se aos desafios globais da justiça climática, das desigualdades sociais e da construção de novos pertencimentos. Inspirada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, na realização da COP30 no Brasil e nos dez anos da encíclica Laudato si’, esta proposta convida à reflexão coletiva sobre o compromisso ético e político da educação superior diante de um planeta em colapso e de uma humanidade em busca de dignidade.
O conceito de universidade necessária, cunhado por Darcy Ribeiro, é aqui resgatado como eixo curatorial e horizonte de ação. Darcy nos interpela a imaginar uma universidade que não se limite à reprodução de saberes importados, mas que se enraíze na cultura, nas urgências e nos sonhos do povo brasileiro. Uma universidade que produza conhecimento comprometido com a vida, com a democracia e com a soberania do país. Neste sentido, excelência acadêmica, cidadania e pertencimento não são metas isoladas, mas dimensões interdependentes de uma mesma utopia viva e cotidiana.
Ao reunir temas, vozes e trajetórias em torno desses eixos, esta curadoria convida estudantes, docentes e trabalhadores(as) da universidade a atravessarem, juntos, os desafios de nosso tempo. Em tempos de crise ambiental, fome, exclusão e apagamentos, reafirmamos a urgência de ver com novos olhos, sonhar com os pés no chão e agir com coragem coletiva. Como dizia Darcy, “é tão fácil”: basta estender os braços no tempo e tocar, mesmo que por um instante, a possibilidade concreta de um Brasil mais justo, solidário e luminoso.
NÚCLEO I - Darcy Ribeiro: a educação como instrumento de mudança social
Darcy Ribeiro viu na educação a chave para transformar o Brasil. Entre 1955 e 1956, atuou como professor e, logo depois, assumiu a direção da Divisão de Estudos Sociais do CBPE, sempre movido pelo compromisso de construir uma universidade que dialogasse com os desafios nacionais. Em 1959, recebeu a missão de planejar a Universidade de Brasília, um projeto revolucionário que integrava ensino, pesquisa e extensão com o objetivo de formar cidadãos críticos, fortalecer a autonomia nacional e acelerar o progresso social.
Para Darcy, a universidade não era uma instituição estática ou isolada, mas um espaço dinâmico e engajado, capaz de antecipar e superar as transformações sociais que o Brasil precisava enfrentar. Como ele destacou, as universidades que se alinham com essas mudanças tornam-se poderosas agentes de superação do atraso nacional. Mais que centros de formação profissional, elas são pilares de inovação, cidadania e construção coletiva, essenciais para a vida digna e soberana do povo brasileiro.
NÚCLEO II - Darcy Ribeiro: a luta pelos povos indígenas e a defesa da diversidade cultural
Darcy Ribeiro, formado em Antropologia, dedicou grande parte de sua vida à defesa dos povos indígenas e à valorização de suas culturas. Atuando no Serviço de Proteção ao Índio entre 1947 e 1956, viveu de perto o cotidiano das comunidades indígenas e idealizou o Museu do Índio, marco pioneiro no combate ao preconceito e na promoção da diversidade cultural brasileira. Para Darcy, proteger os indígenas significava preservar suas línguas, tradições e saberes, reconhecendo-os como parte vital da identidade nacional.
Sua luta ultrapassou a academia e a cultura, influenciando políticas públicas com a criação da Fundação Nacional do Índio e defendendo a autodeterminação e os direitos territoriais dos povos originários. Darcy eternizou sua visão em obras fundamentais, como Os índios e a civilização e O povo brasileiro, onde mostra que a matriz indígena é pilar da formação do Brasil. Seu legado está vivo nas universidades que promovem a diversidade e nas lutas atuais por justiça social, reafirmando que um Brasil mais justo e plural só será possível com o protagonismo dos povos indígenas.
NÚCLEO III - Darcy Ribeiro: política e utopia na construção do Brasil
Darcy Ribeiro levou seu compromisso com a transformação social para o campo político, atuando como Ministro da Educação no governo João Goulart e mais tarde como vice-governador do Rio de Janeiro. Sua maior contribuição foi a criação dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), escolas que ultrapassavam o ensino tradicional para garantir dignidade, cultura e cidadania a crianças em situação de vulnerabilidade. Para Darcy, a educação era o motor da justiça social e o caminho para um Brasil mais igualitário, como expressou com firmeza: “Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca.”
Na década de 1990, Darcy ampliou sua atuação legislativa e intelectual, participando da formulação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação e publicando O Povo Brasileiro, obra monumental que revela a força da mestiçagem e da diversidade como alicerces da identidade nacional. Visionário e incansável, ele via a política como ferramenta para realizar a utopia de um Brasil justo, crítico e plural, reafirmando que a crise da educação não é um problema isolado, mas um projeto que deve ser enfrentado com coragem e esperança.

A Mini Mostra Darcy Ribeiro: Universidade Necessária – Caminhos à Cidadania, Excelência e Pertencimento é realizada em parceria com a Fundação Darcy Ribeiro – FUNDAR, instituição que preserva, atualiza e difunde o legado de um dos maiores pensadores do Brasil.
Essa colaboração reafirma o compromisso da mostra com a memória ativa de Darcy, convocando a universidade a ser espaço de crítica, invenção e esperança. Ao lado da FUNDAR, celebramos uma pedagogia do futuro enraizada na justiça social, no direito à educação e no protagonismo dos povos originários, princípios que atravessam a vida e a obra do educador que sonhou um Brasil mais bonito, mais nosso, mais possível.
Conheça mais sobre a Fundação Darcy Ribeiro em: www.fundar.org.br
