II Falas Negras – FANESCRESP: Negritudes, Espiritualidades e Lutas por Justiça Ambiental e Religiosa

II Falas Negras – FANESCRESP: Negritudes, Espiritualidades e Lutas por Justiça Ambiental e Religiosa

online Campus Monte Alegre (Perdizes) - Rua Ministro Godói, 969 - Auditório 239 (2º andar) - São Paulo - São Paulo - Brasil
presencial Com transmissão online

O evento já encerrou

finalizado

II Falas Negras – Fanescresp

Negritudes, Espiritualidades e Lutas por Justiça Ambiental e Religiosa

O II Falas Negras – Fanescresp da PUC-SP é uma iniciativa dos discentes negros do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da PUC-SP, que reúne vozes, corpos e epistemologias negras para pensar espiritualidades, territórios e resistências. Nesta segunda edição, que acontece nos dias 17 e 18 de novembro, propomos o tema:

“Negritudes, Espiritualidades e Lutas por Justiça Ambiental e Religiosa”.


Nosso objetivo é reunir pesquisadoras(es), ativistas, líderes religiosos, artistas e pensadores(as) das diversas expressões das negritudes para refletir sobre como espiritualidades negras têm historicamente se constituído como formas de luta e proteção dos corpos e territórios diante da violência ambiental, do racismo religioso e das desigualdades socioecológicas.


Serão dois dias de mesas, rodas de conversa e sessões temáticas, com foco em temas urgentes como: espiritualidades negras LGBTQIAPN+, racismo ambiental, fundamentalismos religiosos, religião popular, ecofeminismos e resistência territorial. O evento é um espaço de denúncia, mas também de anúncio: da potência dos saberes ancestrais e da construção de outras formas de viver, cuidar e resistir.

Inscrições

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Sessões Temáticas

Resumo das sessões

ST 01 - Espiritualidades Negras LGBTI+ E Justiça Ambiental 

Resumo: Esta sessão propõe um espaço de escuta, troca e construção coletiva sobre parte das espiritualidades negras LGBTI+ em diálogo com justiça ambiental, interseccionalidade e resistência comunitária. Partimos do reconhecimento de que espiritualidade, mais que prática religiosa institucional, é dimensão política, ética e existencial das vidas negras dissidentes, marcada por experiências de exclusão, reexistência e reinvenção. Pesquisas mostram que nas margens dos sistemas normativos, uma grande quantidade de pessoas negras LGBTI+ constroem formas próprias de fé, cuidado e comunidade. Em comunidades, terreiros, igrejas inclusivas, redes de acolhimento e territórios periféricos, emergem espiritualidades que não separam corpo, território e ancestralidade. Essas práticas, por vezes, não apenas sustentam a vida em contextos adversos, mas também produzem saberes que rompem com a lógica colonial e cisheteronormativa dominante. Nisso a presente sessão busca acolher experiências e reflexões que pensem espiritualidade como campo de produção epistemológica e de disputa política e que articule fé com justiça ambiental numa tentativa de evidenciar como o racismo estrutural e a LGBTIfobia operam também sobre os territórios, seja por meio do racismo ambiental, do apagamento

de memórias, da devastação ecológica ou da negação do direito à terra e à moradia. Afinal pouco se pensa como os corpos dissidentes e racializados são os primeiros a sofrer os impactos das desigualdades ecológicas e os últimos a serem ouvidos nos debates sobre o futuro do planeta terra. Interessa-nos acolher perspectivas que não apenas falem sobre espiritualidade, mas que façam espiritualidade em sua forma de narrar, cantar, rezar, cozinhar, plantar, lutar. Por isso, esta sessão está aberta a múltiplas formas de expressão e escrita: artigos, relatos de experiência, práticas, performances, testemunhos e escrevivências, afinal acreditamos que outro horizonte de espiritualidade é possível, forjado na travessia das bixas, travestis, sapatonas, mães de santo, pastores afros, curandeiras, educadoras negras e tantos outros corpos-epistemes que desafiam a morte cotidiana com esperança ancestral. 


ST 02 - Religião Popular e o Sepultamento como Ato Político e Ecológico Resumo: A ST (Sessão Temática)

 "Religião Popular e Justiça Socioambiental: O sepultamento como Ato Político e Ecológico" explora a relação entre práticas religiosas populares, especialmente rituais fúnebres, e a luta por justiça social e ambiental. O estudo destaca como o sepultamento, em contextos de marginalização, transcende sua dimensão religiosa, tornando-se um ato de resistência política e compromisso ecológico. A religião popular é analisada como um espaço de reexistência, onde comunidades oprimidas transformam o luto em denúncia contra violências estruturais, como a necropolítica e a degradação ambiental. 

A ST enfatiza que grupos vulneráveis são os mais impactados por crises socioambientais, como poluição, enchentes e falta de acesso a territórios dignos para sepultamento. Nesse sentido, os ritos funerários coletivos – como os de vítimas de injustiças ambientais – assumem um caráter político, reivindicando memória e reparação. Além disso, a ST aborda o sepultamento como prática ecológica, questionando a mercantilização capitalista da morte e propondo alternativas sustentáveis, como cemitérios verdes e ritos que reintegram o corpo à terra de forma harmoniosa. Por fim, o eixo temático articula teologia e ecologia, defendendo que a espiritualidade popular pode inspirar novas relações com o meio ambiente, baseadas no cuidado, na justiça e na resistência. Em resumo, a ST demonstra que o ato de sepultar, em contextos de desigualdade, é também um gesto de transformação socioambiental, unindo fé, política e ecologia na construção de um mundo mais digno e sustentável.


ST 03 - Racismo Ambiental, Religião e Zonas de Sacrifício 

Resumo: A presente sessão temática se propõe a examinar, sob olhar atento e crítico, as múltiplas formas de atuação do fenômeno religioso nos interstícios mais esquecidos da sociedade — as chamadas zonas de sacrifício. São as encostas de morros instáveis, as palafitas que desafiam as águas, as penitenciárias onde o tempo se arrasta, as regiões flageladas pelo rigor do semiárido, ilhas isoladas pela inércia do poder público, cortiços densos e tantas outras geografias negligenciadas pelo Estado, frequentemente assoladas pelos efeitos das mudanças climáticas. 

Nesses territórios à margem, onde o Estado se faz ausente e o futuro parece interditado, a religião frequentemente assume um papel assistencialista, preenchendo as lacunas deixadas pela ausência de políticas públicas e tornando-se, por vezes, o único amparo possível diante da adversidade cotidiana. Essas espacialidades, marcadas por geografias de exclusão e resistência, são majoritariamente habitadas por populações negras, herdeiras de uma longa trajetória de expropriação e silenciamento no acesso à terra e à dignidade. 

Nestes territórios, o peso da história se faz sentir no cotidiano: corpos negros comprimidos em espaços negligenciados, vítimas de um racismo ambiental que se perpetua nas fissuras da urbanização e da indiferença estatal. São sujeitos relegados à margem das políticas reparatórias, alijados de ações efetivas que poderiam mitigar as cicatrizes de um passado forjado pela violência e pela desigualdade. Assim, os habitantes dessas regiões tornam-se testemunhas e protagonistas de uma luta cotidiana contra as múltiplas formas de injustiça, enquanto o Estado, ausente ou omisso, perpetua a lógica de exclusão que sustenta o sofrimento e a resistência dessas comunidades afrodescendentes. 

No seio das regiões pelágicas que margeiam os grandes centros urbanos, assim como nas comunidades rurais esquecidas, a proposta desta sessão é acolher pesquisas que se debrucem sobre o papel das religiões nesses espaços ermos, muitas vezes marcados por ambientes lúgubres, carentes até mesmo do mais básico saneamento. Convidamos trabalhos concluídos ou em andamento que investiguem essas dinâmicas, descortinando as nuances e contradições da presença religiosa onde o abandono estatal é mais agudo. Assim, buscamos fomentar um debate sensível e profundo acerca das práticas religiosas que, como rios subterrâneos, irrigam de sentido e esperança as paisagens áridas das periferias humanas, ainda que, por vezes, perpetuem dinâmicas de dependência e substituição do dever público.

Que esta sessão seja, pois, um espaço fértil para o diálogo e a crítica diante dos dramas e reinvenções que marcam as zonas de sacrifício em nosso tempo.


 ST 04 - Mulheres Negras, Terra e Luta: Ecofeminismos em Resistência 

Resumo: Esta sessão temática propõe refletir sobre as intersecções entre gênero, raça, espiritualidade e meio ambiente a partir das experiências e saberes de mulheres negras em territórios de luta. Ao convocar os ecofeminismos negros, buscamos evidenciar formas de resistência que emergem da relação ancestral com a terra, os corpos e os sagrados. 

Mulheres negras , muitas vezes lideranças comunitárias e guardiãs de saberes espirituais e ecológicos, protagonizam enfrentamentos às violências ambientais, racistas e patriarcais nos campos, nas florestas e nas periferias urbanas. 

Esta sessão temática acolhe trabalhos que problematizem as múltiplas dimensões da justiça ambiental sob uma ótica feminista negra, com ênfase em temas como: espiritualidades femininas ; territorialidades negras e cuidado comunitário; impactos de gênero e raça das violências ambientais; práticas ancestrais de cura, reexistência e sustentabilidade. 

A sessão é aberta a pesquisadoras(es), militantes, artistas, lideranças e mestras(es) de saberes tradicionais que reflitam sobre os enfrentamentos e reconstruções que as mulheres negras vêm protagonizando na defesa da vida, da natureza e das espiritualidades. 


ST 05 - Entre o Sagrado, negritudes e a Destruição: Fundamentalismos como Ameaça Ambiental 

Resumo: A sessão temática “Entre o Sagrado, negritudes e a Destruição: Fundamentalismos como Ameaça Ambiental” propõe refletir criticamente sobre as conexões entre negritudes, espiritualidades, fundamentalismos religiosos e justiça socioambiental. Em tempos de intensificação da crise climática, observamos o avanço de práticas político-religiosas fundamentalistas que, em nome de um suposto monopólio do sagrado, negam a pluralidade espiritual e sustentam projetos de exploração predatória da natureza. Essas dinâmicas impactam diretamente os territórios negros, indígenas e tradicionais, produzindo violências múltiplas: ambientais, epistêmicas, raciais e de gênero.

O debate parte do reconhecimento das espiritualidades afro-diaspóricas como formas de resistência e de cuidado com a Terra, que entendem a natureza como espaço sagrado e fundamentam cosmologias orientadas pelo princípio da interdependência entre seres humanos e não humanos. Tais concepções se contrapõem às lógicas de destruição ambiental associadas ao agronegócio, mineração e projetos desenvolvimentistas, frequentemente legitimados por discursos religiosos fundamentalistas que demonizam práticas de matriz africana e desqualificam saberes ancestrais.

Nesse cenário, o fundamentalismo religioso atua como vetor de intolerância, reforçando racismos estruturais e negando o direito à liberdade religiosa. Ao naturalizar a exploração da terra como mandato divino, contribui para o avanço da devastação ecológica e para a invisibilização de formas outras de espiritualidade que reconhecem o planeta como sujeito de direitos. A mesa convida pesquisadoras(es), militantes e lideranças comunitárias a discutir como os processos de criminalização de religiões afro-brasileiras e a expansão de uma religiosidade mercantilizada impactam a luta por justiça ambiental e climática. 

Assim, o eixo busca tensionar as fronteiras entre o sagrado, o político e o ecológico, problematizando a forma como a colonialidade do poder se reinscreve nos corpos, nos territórios e nas espiritualidades negras. Ao mesmo tempo, abre espaço para valorizar as resistências que emergem do cuidado ancestral, da oralidade, da memória e do pertencimento comunitário. A sessão pretende, portanto, articular reflexões e experiências que apontem para a construção de futuros sustentados na justiça socioambiental, liberdade religiosa, pluralidade espiritual e dignidade negra.

Local do Evento

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