Este é um evento online

O evento caracteriza-se como espaço de formação de discentes e pesquisadores da área, assim como promotores da construção de conhecimentos, tendo em vista as contribuições da pesquisa científica em desenvolvimento e a identificação de questões emergentes para a realização de investigações.
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O tema do nosso Encontro de pesquisadores,
já em sua décima quarta versão, está marcado por sobressaltos e algumas
conquistas. A ideia de que os nossos currículos, em todas as áreas da educação
formal e não formal, estão sofrendo de muitos lados um abalo em seus princípios
nos evidencia um sobressalto. As políticas prioritárias marcadas em nosso PNE 2014-2024 vêm sendo
demolidas pedra a pedra. A carência de projetos de políticas públicas sobre alfabetização, as
restrições de qualidade nas políticas dos livro didáticos, o descaso com os
mecanismos de financiamento à educação Básica assim como os cortes
arbitrários nas bolsas-pesquisa e o baixo compromisso das instâncias federais
para com o enfrentamento dos efeitos da Covid-19 nas escolas, sobretudo nas
mais carentes, nos enchem de preocupação e nos trazem responsabilidades
multiplicadas. |
Dentro desse contexto tivemos que armar-nos de novas táticas e
refinamento do sentido de enfrentar com rapidez o quadro caótico instaurado. Por isso, o Programa de Pós-graduação em Educação: Currículo, por
ocasião da concepção do XIV Encontro, propõe como tema articulador de seus
trabalhos a Democracia – em suas múltiplas modalidade e
espaço de vivências – e o Currículo como uma das trilhas,
vinda lá de Aristóteles, para debater e construir a democracia, na história e
nos seus futuros aperfeiçoamentos. “A educação é um bem público, um direito de todos e deve oferecer
oportunidades de realização de todas as potencialidades de
desenvolvimento de todos os sujeitos, instituições e sociedade, de modo
democrático, includente e participativo”. Plano estratégico do Programa (2021-2024). |
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A Democracia tida como invenção dos gregos
evoluiu na história do Ocidente, multiplicou-se, involui, teve derrotas,
metamorfoseou-se e ocupa todas as frestas da cultura, do pensamento, da
economia, da ética e da educação. Nesse sentido, podemos ter vivências democráticas
nas universidades, na condução de organizações de produção, nos clubes de
esportes, na divisão fundiária, na participação dos espaços urbanos e até nas
relações de gêneros e entre familiares. Seus efeitos marcam-nos desde casa
até o cuidado com a limpeza pública ou com as avaliações
educacionais. O currículo como território de disputa e de
emancipação vai buscar a democracia essencialmente em seus meandros para
entendê-la, explicitá-la, analisá-la e escolher suas formas mais coerentes de
vivência. Nas ações coletivas da sociedade, elas se
multiplicaram em fragmentos e em direções diferentes, daí seu caráter
múltiplo. Democracias. Por analogia, o currículo também precisa dela para se
compreender em suas múltiplas faces. As faces da democracia mais iniciais e evidentes,
enquanto forma de organização do Estado, são o pluripartidarismo, a liberdade
de imprensa, eleições e a alternância no poder. Necessárias, mas não
suficientes para a vivência de suas complexas e mutantes necessidades. A democracia está em cheque em todo o mundo. No
Brasil, a crise se agrava pela ampliação da segregação social, pela falta
estrutural de empregos, pelo trato inadequado da pandemia, pelos desacertos
de sua diplomacia e pelas perdas da biodiversidade e escancaram sua crise. O
individualismo consumista, prometido como sonho de felicidade, ao ser
vivido - em seu grau máximo durante a pandemia - evidenciou que o isolamento
privado e o consumo sem fim, não realizam o sentido da vida. |
O eu-privado não se basta. O consumo como meta é
enganoso. A bio-política, os cuidados com a vida dos seres
humanos e da natureza, a pobreza, a espoliação do estado colocam ao cidadão a
questão da desastrosa forma atual de governamento da vida nos regimes ditos
democráticos. Dentro desse quadro, tudo que significa reunir uma pluralidade de
novos agentes como os movimentos negros, LGBT, indígenas, feministas, idosos,
crianças, juventudes pode vir a ser uma forma de destruir a lógica necrófila
do atual neoliberalismo. A educação formal e não-formal na história constitui-se como um dos
espaços de debate e de explicitação destas constatações, que não parecem
espontaneamente em outras instâncias sociais. A escola mantém-se como símbolo moderno da igualdade de direito de aprendizagem
e de olhar sobre o vasto território do mundo e dos seus problemas. A aprendizagem escolar vai para além da participação, para além das
habilidades e das competências e impregna-se no pensar, criar, indignar-se,
propor, diagnosticar, imaginar utopias e criticar. Nesse sentido, até as mobilizações e perspectivas das tecnologias num
regime democráticos precisam ser refeitas pelo conceito de emancipação e não
de inclusão, que significa ‘fechar dentro do círculo dos mesmos’.
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Trata-se de uma democracia que morre por dentro, ao polarizar, nós e eles, e todas as formas de alteridade agravadas pela segregação e pela indiferença perante a miséria e morte: “e daí?” Constata-se a partir daí que temos uma democracia impulsionada pela
ciberesfera descontrolada e com carência de teorias para o futuro que lhe
permitam interpretar a vida e derrocadas das social-democracia vivida pelo
mundo do pós II guerra. A educação geral e sua vertente escolar podem esclarecer a nova
ideologia neoliberal se trouxer ao currículo sua dimensão crítica. A educação
e os currículos escolares podem explicitar a natureza da relação do poder que
transforma as subjetividades do homem ‘liberal’ pela qual tal poder
influencia e faz o sujeito aderir a um projeto de natureza que lhe são
estranhas. Entre as estranhezas com as quais nos acostumamos estão a competição,
a falsa ideia de autonomia total, da acumulação como destino, o consumo de
si, como a concorrência ao longo da vida, como o trabalho sem fim. Todos os
meandros sociais se organizam até termos como destino o objetivo de
criar dentro de cada um de nós o mito do ‘empreendedor de si mesmo!’
Será isso liberdade? Como a educação e o currículo favorecerão a
compreensão desta equação do início do século XXI? Democracia, educação e conhecimento?
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